Suicídio na escola: falar sobre o tema pode salvar vidas

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Automutilação e Suicídio na escola continuam sendo temas tabu, apesar do fato de que o suicídio de jovens vem aumentando nos últimos dez anos.

Estatísticas recentes mostram que cerca de oito crianças e jovens morrem por suicídio a cada semana, enquanto cerca de uma em cada dez provocam automutilação durante a adolescência. Essa perda de vidas significa que o assunto é importante demais para não ser abordado, mas pais e professores costumam se preocupar com o fato de que falar sobre suicídio ou automutilação pode colocar ideias em mentes jovens e impressionáveis.

Por que precisamos falar sobre automutilação e suicídio na escola?

Um mito predominante sobre a automutilação é que as pessoas fazem isso para chamar a atenção. Então, se seguirmos essa lógica, podemos presumir que identificaremos naturalmente aqueles que estão se envolvendo em autolesão ou pensando em suicídio. Surpreendentemente, as pesquisas não apoiam essa ideia. Apenas cerca de metade dos jovens que se machucam revelam o comportamento a alguém. Os jovens muitas vezes fazem de tudo para esconder a automutilação.

Pode ser muito difícil admitir automutilação ou pensamentos suicidas. As pessoas podem temer uma resposta negativa ou temer que a informação seja espalhada sem seu consentimento. Alguns jovens podem não ver seu comportamento como um problema. A automutilação costuma ser uma forma de tentar lidar com emoções avassaladoras, e algumas pessoas podem achar que essa estratégia está “funcionando”.

Professores e pais podem estar atentos a sinais de alerta de automutilação ou suicídio, como depressão, ansiedade, baixa autoestima ou experiências estressantes na vida. No entanto, nossa pesquisa recente destaca que nem todos os jovens que se machucam se enquadram nesse perfil. Sim, precisamos ficar de olho nas lesões autoprovocadas, comportamento suicida e outras dificuldades de saúde mental, mas infelizmente isso não é suficiente.

Como comunidade, precisamos de estratégias proativas e positivas para reduzir a automutilação e o suicídio dos jovens. As escolas estão na linha de frente desse trabalho porque proporcionam um contato maior com os jovens.

Discutir a automutilação e o suicídio na escola o encorajará?

Esta é uma preocupação comum dos pais e funcionários da escola. Há evidências emergentes, entretanto, que sugerem que programas selecionados de automutilação e suicídio:

  • não aumentam pensamentos ou comportamentos de automutilação; 
  • reduzem as tentativas de suicídio e a ideação suicida grave; 
  • melhoram conhecimentos e atitudes; e 
  • aumentam a procura por ajuda.

Para elaborar programas de prevenção, pesquisas contínuas são necessárias para fortalecer as evidências, levando em consideração as perspectivas dos jovens e medindo os resultados relacionados ao suicídio e às lesões autoprovocadas. Assim, as escolas podem falar sobre automutilação e suicídio de forma positiva e segura quando abordadas da maneira certa.

Como podemos ter essas conversas com segurança?

Em primeiro lugar, precisamos construir comunidades de apoio para que os jovens estejam dispostos a revelar pensamentos suicidas e de automutilação. Um adolescente passa mais de 30 horas por semana na escola, mas estar perto de pessoas não fornece automaticamente uma conexão genuína, onde cada jovem se sente seguro e apoiado. Esta não é uma tarefa fácil de realizar, mas não pode ser negligenciada em meio à confusão de programas e políticas. 

Portanto, precisamos implementar programas de prevenção de automutilação e suicídio baseados em evidências. A pesquisa e a prática indicam que devem ser enquadrados em programas mais amplos de saúde mental que se concentram em comportamentos de proteção e no fortalecimento da resiliência. Os programas devem estar disponíveis para todos os alunos, não apenas aqueles que parecem estar em risco. Esses programas devem educar e capacitar, então não devem incluir imagens ou descrições gráficas de comportamento.

É provável que discutir a automutilação e o suicídio resulte na identificação de novos casos que antes eram desconhecidos da escola. Embora esse seja um resultado positivo, pode representar um fardo maior para as equipes de bem-estar já sobrecarregadas. As escolas podem se preparar para isso garantindo que os funcionários conheçam os protocolos após a divulgação e estabelecendo boas relações com serviços externos. 

Mas apenas a escola deve falar sobre suicídio?

Não é apenas a equipe que precisa saber como responder. Afinal, é mais provável que os adolescentes revelem isso a um amigo próximo do que a um adulto. Se revelarem a um adulto, é mais provável que seja um pai do que um conselheiro ou professor. Ou seja, isso significa que todos os membros da comunidade precisam saber como responder de forma segura e solidária. 

As pessoas também devem estar cientes do apoio disponível fora da escola. Os serviços online podem ser menos intimidantes para aqueles que relutam em procurar ajuda. 

Falar sobre automutilação e suicídio não é fácil, mas é uma conversa que pode salvar vidas. Nesse sentido, a Idapt possui inúmeros recursos que facilitam o diálogo entre os jovens e fornece elementos para que os professores tracem linhas de trabalho e de abordagens.

Mas o mais importante é: nunca questione ou julgue o comportamento de um jovem sem ter a noção clara da intensidade da sua dor. Cada um tem a dor que suporta!

Somos responsáveis diretos pelo bem estar de nossos jovens e, portanto, temos a obrigatoriedade de discutir ações e implementá-las muito além do SETEMBRO AMARELO. Com certeza salvaremos vidas e daremos apoio emocional a tantas outras.

Conheça o autor

Almir Vicentini é mestre em Educação pela PUC/SP. Pós-graduado em Administração pela FGV/SP. Bacharel em Física, pela Fundação Oswaldo Cruz/SP. Licenciatura em Pedagogia, pela Universidade de Franca. É também autor dos livros “Gestão Escolar – Dicas Corporativas”, ” ISO 9001 em Ambientes Educacionais” e “Quero ser rico! Usando meu salário emocional”. Siga Almir no Instagram.

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